sábado, 29 de abril de 2017

Trabalho - Privatizado...


Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.

É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário.

E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence.



Bertolt Brecht



Pelo "Dia do Trabalhador"


Eu sou um pacifista, trabalho pela paz e para um mundo melhor.

Trabalho contra os caretas do mundo, contra o torpor, a imprecação, contra a arapuca que nos foi armada e durante séculos vivemos conformados, presos nela comendo o alpiste que nos dão. E o pior é que os que prepararam a arapuca também caíram nela, comem do mesmo alpiste e não sabem disso.

Trabalho para sair da arapuca com todos os que estão querendo ser pássaros livres outra vez. Os que estão cegos ficarão soterrados dentro dela quando ela desabar.

Sou um pacifista, a mando de forças exteriores.

Pensando que estão por cima, os imbecis vivem dentro do mesmo esquema: a neurose, a preocupação criminosa e doentia de manter-nos a todos dentro da armadilha. Mas é preciso sair dela de qualquer maneira, é a única salvação ou seremos eternos pássaros tristes, presos numa arapuca com alpiste racionado. Eu quero ver o mundo do cume alto de uma montanha!!!

Raul Seixas


quarta-feira, 26 de abril de 2017

Pensamentos empilhados...



Tudo muito novo e perdido nas incoerências

Mãos que tocam teclas e folhas e canetas

Nada absorve de uma manhã gélida

Endurecidas pelo frio humano mãos e pés

Que já não tocam e sequer são tocados

Da janela observa um azul celeste que se transforma em sol dourado

Assim se transforma o escritor em sua obra prima

Será imortal enquanto o lerem em sua poética já desgastada

Uma dúvida – sua dúvida – o perseguirá para sempre

Herança fiel motivadora do conversar com palavras e linhas

Linhas paralelas e ideias verticais

Nasce o escritor de um tédio motivador!



Célia Rangel


segunda-feira, 24 de abril de 2017

Ocaso



Está escuro na janela da alma
Nada se põe com as estrelas
Ou se levanta com o sol
Breu total
Imagem desconexa perde-se
Não se encaixa
Há ignorância

Passos apressados – eterna busca
Há resistência

Passou o tempo dos sonhos
Volta-se à realidade dolorida
A janela emperrou
A alma adormeceu
Há silêncio

Do seu sorriso – esqueceu
Nada ficou de seu no espelho conjugado a dois
Há solidão

A alma tudo embaçou
Exorcizam-se mentes nubladas
Livres ficam pelo presente a caminho do futuro
Enquanto podem...
Há alento.


Célia Rangel


domingo, 23 de abril de 2017

Refúgio






Devaneio de verão - ardente

Não pensei - mergulhei

Sem nenhuma proteção

No veraneio do meu coração

Plantei e abriguei o amor

Na cabana de nosso refúgio – o olhar

Falamos no silêncio do nosso coração

Ainda que venham outonos e invernos

Sempre nos aqueceremos no sol do nosso amor 





Célia Rangel



sexta-feira, 21 de abril de 2017

Meus Ciclos de Vida


Se tudo o que tenho agora
São bens emprestados,
Com prazo de validade,
Por que vivo preocupada
Em ter... Acumular... Suprir?
Fiz pelo trabalho o que tenho.
Deixo tudo e parto.
Que outro faça o mesmo para ter.
Hoje, minha preocupação é
Com o que não me ensinaram: o ser
Isso vem com a sabedoria do tempo.
Observo minha vida e concluo:
A Lua poderá ser Nova... Crescente... Cheia...
Mas nunca, Minguante!
Assim como a Lua, tenho minhas fases.
Indomável, com o Sol, ofusco-o e apareço...
Irradiante. Romântica. Acolhedora. Única.
Rendendo-me no amanhecer à sua luz,
Serena e fértil recolho-me cedendo o meu lugar
E, nos meus sonhos, meu Crepúsculo será,
O suave brilho da minha alma que com alegria
Entregarei, com minhas virtudes, ao meu Criador!
Assim, serei!

Célia Rangel



segunda-feira, 17 de abril de 2017

Elimine


... os pertences inúteis da vida
... as buscas impossíveis das dúvidas
... as certezas desgastadas das possibilidades
... os rancores armazenados dos desafetos
... a deslealdade dos contatos amorosos
... a lamentação das perdas
... a ostentação dos ganhos
... as tristezas inférteis da vida
... a arrogância ostensiva biográfica
... a ignorância descomedida das ações
... o desamparo provocado pelo ostracismo
... a fatalidade que envolve pensamentos
... o ódio que habita a mente
... a malícia que invade o corpo
... as concessões que escravizam o homem
... a hipocrisia arma dos fracos
... a infidelidade traidora dos sentimentos
... os excessos que destroem o bom senso
Perdoe. Busque a autenticidade do ser.


Célia Rangel